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SÃO PEDRO DE ALCANTARA
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SÃO PEDRO DE ALCANTARA
 
"(...) E que bom modelo o Senhor agora nos levou chamando a si o bendito Frei Pedro de Alcantara! O mundo já não é capaz de suportar tanta perfeição. Dizem que as saúdes estão mais fracas e que os tempos mudaram. Este santo homem viveu em nossos dias. Possuía o espírito robusto, como os santos de outrora; sabia desprezar o mundo. Ainda que não andemos descalços nem façamos tão áspera penitência como ele, muitas coisas há, como tenho dito por várias vezes, em que se pode também menosprezar o mundo. O Senhor o ensina quando encontra ânimo. E que grande coragem sua majestade deu ao referido santo para fazer durante quarenta e sete anos tão áspera penitência, como todos sabem. Quero dizer a este respeito alguma coisa, e sei que é a pura verdade.
 
Ele mesmo contou-me e a outra pessoa para a qual não tinha segredos. Contou-o devido à grande afeição que sentia por mim, inspirada pelo Senhor, a fim de que tomasse minha defesa e me animasse em tempo de tanta necessidade, como já disse e direi ainda. Parece-me que foram quarenta anos os que me disse ter passado dormindo apenas hora e meia entre a noite e o dia. Vencer o sono foi de todas as penitências a que mais lhe custou no princípio, e para isto estava sempre de joelhos ou de pé. Quando dormia era assentado, com a cabeça apoiada a um toco de madeira, que tinha pregado à parede, Deitar-se, ainda que quisesse, não podia, porque sua cela, como é sabido, não tinha mais de quatro pés e meio de comprimento (1,37m).
 
Em todos esses anos jamais se cobriu com o capuz, por mais ardente que fosse o sol, ou mais intenso aguaceiro que houvesse. Não trazia calçado nos pés, vestia apenas um hábito de saial, sem outra roupa sobre a pele. Este hábito era tão estreito quanto podia ser, e por cima usava um manto pequeno do mesmo pano. Contou-me que tirava este depois, pondo de novo o manto e fechando a porta, contentar o corpo e fazê-lo sossegar com algum agasalho. Era-lhe muito frequente comer só no fim de três dias. perguntou-me por que razão me espantava, pois era muito possível a quem o tivesse por costume. Disse-me um seu companheiro que acontecia a este santo passar oito dias sem comer. Devia ser quando estava em oração, pois tinha grandes arroubamentos e ímpetos de amor de Deus, como certa vez presenciei.
 
Sua pobreza era extrema. Foi tal sua mortificação na mocidade que, segundo me contou, aconteceu-lhe viver três anos numa casa de sua Ordem sem conhecer frade algum a não ser pela fala, porque jamais levantava os olhos. Não sabia ir aos lugares aonde o dever o chamava, a não ser andando atrás dos outros religiosos. O mesmo lhe ocorria pelos caminhos. Jamais olhou mulher alguma durante muitos anos. Dizia-me que tanto lhe era indiferente o ver como o não ver.
 
Era muito velho quando o conheci, e tão extrema sua magreza, que parecia feito de raízes de árvores. Com toda esta santidade, era muito afável, embora de poucas palavras, exceto quando interrogado. Sua conversa era muito agradável, possuía um espírito encantador. Outras coisas quisera mencionar, mas receio que vossa Mercê pergunte por que me intrometo em tal assunto, e foi com temor que o escrevi. Assim concluo dizendo, que seu fim foi semelhante à sua vida. Morreu pregando e admoestando a seus religiosos. Quando viu que havia chegado sua hora, disse o salmo Laetatus sum in his quae dieta sunt mihi [Sl 121 Alegrei-me com o que foi dito], e, de joelhos expirou.
 
Depois o Senhor tem me permitido que me encontre com ele mais do que durante sua vida, e seja aconselhada por ele em muitos pontos. Tenho-o visto várias vezes em imensa glória. Na sua primeira aparição, além de outras coisas, disse-me: feliz penitência que lhe obtivera tal prêmio. Um ano antes de morrer, estando ausente, apareceu-me. Tive uma revelação de que estava próxima sua morte, e mandei-lhe avisar, a algumas léguas daqui. Ao expirar apareceu-me e disse-me que ia entrar em seu descanso. Não acreditei e contei-o a algumas pessoas. Ao fim de oito dias chegou a notícia de que morrera, ou, melhor dizer, começara a viver para sempre.
 
Ei-la, pois, acabada esta vida tão penitente, com tão grande glória! Parece-me que agora me consola muito mais do que no tempo em que testava na terra. Disse-me uma vez o Senhor, que concederia tudo o que pedissem em nome deste santo. Muitas coisas lhe tenho encomendado para que s peça ao Senhor e todas tenho visto cumpridas. Seja ele bendito para sempre. Amém."
 
Livro da Vida - Santa Teresa de Jesus; Cap 27. Pag. 218-220.


 
 

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