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A MISSA E O PRO MULTIS
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A MISSA E O "PRO MULTIS"

Nem todos se salvarão.

 

Vaticano, 18 de Novembro 2006 (CWNews.com). 

O Vaticano ordenou que a expressão pro multis seja traduzida como "por muitos" em todas as novas traduções da Oração Eucarística, segundo averiguou a agência Catholic World News.

Embora "por muitos" seja a tradução literal da expressão latina, as traduções atualmente em uso traduzem a expressão como "por todos". Traduções equivalentes (für alle; for all; per tutti) estão em uso em diversas outras línguas.

O Cardeal Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, escreveu para os Presidentes das Conferências Episcopais do mundo todo, informando-os da decisão do Vaticano. Para os países onde uma mudança na tradução será necessária, a carta do Cardeal direciona os Bispos a se prepararem para introduzir "nos próximos um ou dois anos" a nova tradução da expressão nos textos litúrgicos aprovados.

A tradução do pro multis foi tema de uma discussão considerável, em razão das graves questões teológicas envolvidas. A expressão aparece quando o sacerdote consagra o vinho, dizendo (na tradução atual): 

...será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados.

Já a versão do Missal em latim, que dita a norma para a liturgia romana, diz:

...qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum.

Os críticos da tradução atual, desde que esta apareceu, argumentaram que traduzir pro multiscomo "por todos" não só distorce o sentido do original em latim, como também passa a impressão de que todos os homens serão salvos, independentemente de sua relação com Cristo e com Sua Igreja. A tradução mais natural, "por muitos", sugere de modo mais preciso que, embora o sofrimento redentor de Cristo torne a salvação disponível a todos, disso não se segue que todos os homens se salvarão.

O Cardeal Arinze, em sua carta aos presidentes das conferências episcopais, explica as razões da decisão do Vaticano:
Os Evangelhos Sinóticos (Mt 26,28; Mc 14,24) fazem referência específica a "muitos" pelos quais o Senhor oferece o Sacrifício, e essa palavra foi enfatizada por alguns exegetas em conexão com as palavras do profeta Isaías (53, 11-12). Teria sido perfeitamente possível aos textos do Evangelho dizer "por todos" (por exemplo, cf. Lucas 12,41); ao invés, a fórmula apresentada na narrativa da instituição [da Eucaristia] é "por muitos", e as palavras foram fielmente traduzidas assim na maioria das versões bíblicas modernas.
O Rito Romano em latim sempre disse pro multis e nunca pro omnibus na consagração do cálice.
As anáforas dos diversos ritos orientais sejam em grego, siríaco, armênio, línguas eslavas, etc., contêm o equivalente verbal do latim pro multis em suas respectivas línguas.
"Por muitos" é uma tradução fiel de pro multis, ao passo que "por todos" está mais para uma explicação do tipo que cabe mais propriamente à catequese.
A expressão "por muitos", embora permanecendo aberta à inclusão de cada pessoa humana, reflete também o fato de que essa salvação não é aplicada de modo mecânico, independentemente da vontade e da participação de cada um; pelo contrário, o fiel é convidado a aceitar na fé o dom oferecido e a receber a vida sobrenatural que é dada àqueles que participam nesse mistério, agindo de acordo em sua vida, de modo a ser contado no número dos "muitos" aos quais o texto se refere.
De acordo com a instrução Liturgiam Authenticam, deve ser feito um esforço para uma maior fidelidade aos textos latinos nas edições típicas [do Missal]. 


 
Documento do Vaticano:

 


Congregatio de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum

Prot. N. 467/05/L  - 
http://www.cwnews.com/offtherecord/offtherecord.cfm

Roma, 17 de outubro de 2006

Sua Eminência/Excelência,

Em julho de 2005, esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, por acordo com a Congregação para a Doutrina da Fé, escreveu a todos os Presidentes das Conferências Episcopais para requisitar sua opinião ponderada acerca da tradução, para os diversos vernáculos, da expressão pro multis na fórmula para a consagração do Preciosí­ssimo Sangue durante a celebração da Santa Missa (ref. Prot. N. 467/05/L de 9 de julho de 2005).

As respostas recebidas das Conferências Episcopais foram estudadas pelas duas Congregações e um relato foi feito para o Santo Padre. Sob a direção dele, esta Congregação agora escreve a Sua Eminência/Excelência nos seguintes termos:

1. Um texto correspondente às palavras pro multis, transmitido pela Igreja, constitui a fórmula em uso pelo Rito Romano em Latim desde os primeiros séculos. Nos últimos 30 anos aproximadamente, alguns textos em vernáculo aprovados contiveram a tradução interpretativa "por todos", "per tutti", ou equivalentes.

2. Não há absolutamente qualquer dúvida sobre a validade das Missas celebradas com o uso de uma fórmula devidamente aprovada contendo a fórmula equivalente a "por todos", conforme a Congregação para a Doutrina da Fé já declarou (cf. Sacra Congregatio pro Doctrina Fidei,Declaratio de sensu tribuendo adprobationi versionum formularum sacramentalium, 25 Ianuarii 1974, AAS 66 [1974], 661). Com efeito, a fórmula "por todos" indubitavelmente corresponderia a uma interpretação correta da intenção do Senhor expressada no texto. É um dogma de fé que Cristo morreu na Cruz por todos os homens e mulheres (cf. João 11:52; 2 Coríntios 5,14-15; Tito 2,11; 1 João 2,2).

3. Há, contudo, muitos argumentos em favor de uma tradução mais precisa da fórmula tradicionalpro multis:

a. Os Evangelhos Sinóticos (Mat eus 26,28; Marcos 14,24) fazem referência especí­fica a "muitos" (πολλων = pollôn) pelos quais o Senhor oferece o Sacrifí­cio, e essa formulação foi enfatizada por alguns estudiosos bí­blicos em conexão com as palavras do profeta Isaí­as (53, 11-12). Teria sido perfeitamente possí­vel aos textos evangélicos terem dito "por todos" (por exemplo, cf. Lucas 12,41); todavia, a fórmula apresentada na narrativa da instituição é "por muitos", e as palavras foram fielmente traduzidas assim na maioria das versões modernas da Bíblia.

b. O Rito Romano em Latim sempre disse pro multis e nunca pro omnibus na consagração do cálice.

c. As anáforas dos diversos Ritos Orientais, sejam em grego, sirí­aco, armênio, lí­nguas eslavas, etc., contêm o equivalente verbal do latim pro multis em suas respectivas lí­nguas.

d. "Por muitos" é uma tradução fiel de pro multis, ao passo que "por todos" é, ao invés, uma explicação do tipo que pertence propriamente à catequese.

e. A expressão "por muitos", embora permaneça aberta à inclusão de cada pessoa humana, reflete também o fato de que essa salvação não é efetuada de um modo automático, sem o concurso da vontade ou a participação de cada um; pelo contrário, o fiel é convidado a aceitar na fé o dom oferecido e a receber a vida sobrenatural que é dada àqueles que participam neste mistério, pondo também isso em prática na vida, para ser contado no número daqueles "muitos" aos quais o texto faz referência.

f. De acordo com a Instrução Liturgiam Authenticam, deve haver o esforço para uma maior fidelidade aos textos latinos contidos nas edições tí­picas. As Conferências dos Bispos daqueles países onde a fórmula "por todos" ou sua equivalente está atualmente em vigor são, portanto, requisitadas a realizar a catequese necessária aos fiéis sobre essa questão nos próximos um ou dois anos, para prepará-los para a introdução de uma tradução vernacular precisa da fórmula pro multis (ou seja, "por muitos", "per molti", etc.) na próxima tradução do Missal Romano que os Bispos e a Santa Sé aprovarem para uso em seu paí­s.


Com a expressão de minha alta estima e respeito, permaneço, Sua Eminência/Excelência,


Devotamente Seu em Cristo,

Francis Cardeal Arinze, Prefeito 
 

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Observação:
E viva o Papa Bento XVI, que assim retira um dos cânceres de dentro da liturgia da Missa. Esta expressão errada e contrária à Bíblia – por todos – levou milhões de pessoas a acharem que todos os homens se salvariam, indistintamente, e independente de serem bons, de terem ou não pecados graves, ou desejarem e lutarem pela sua salvação eterna. Teve até um “teólogo” – já refutado e calado pelo Vaticano – que afirmou que no final “até os demônios se salvariam” porque apenas cumprem um papel destinado a eles por Deus. Imaginem uma coisa destas!
Na realidade, Jesus derramou Seu Sangue Preciosíssimo, apenas para os que quiserem se aproveitar de seus méritos de remissão infinitos. Quem não quer se salvar – porque só se perde quem quer – este não teve parte no mérito, embora tivesse tido todas as chances de se apropriar dele. Deus respeita a liberdade do homem, como respeitou a dos demônios.
E assim, a Igreja corrige mais uma distorção grave da Missa atual. Resta saber se de fato isso vai ser implementado pelos bispos, e com que rapidez atuarão eles. Mais um teste de prova de obediência. Que o leitor acompanhe a evolução deste caso! E se todos receberam cartas do Cardeal Arinze neste sentido, não terão desculpas se desobedecerem.
Esta é a posição oficial da Igreja, e não pode mais ser discutida!
Tem que SER cumprida!

 

 

 


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