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AS OFENSAS NOS PURIFICAM
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As ofensas nos purificam


Sabeis que o ódio cresce na proporção da ofensa. Assim, é maior o ódio em quem é ofendido na própria pessoa do que em quem é ofendido por palavras ou nos seus bens. Nada é mais precioso que a vida. Todos consideram grande injúria a ofensa à própria pessoa, e sentem maior ódio. Mas pensai bem. Não há comparação entre a ofensa que uma pessoa comete contra outra e o prejuízo que causa a si mesma.

Que comparação há entre o finito e o infinito? Nenhuma! Vede. Sou ofendido no corpo e, por tal motivo, odeio. Ao fazê-lo, atinjo minha alma e a mato (espiritualmente), retirando-lhe a graça. Dou-lhe a morte, a morte eterna, se morrer em tal pecado, coisa muito possível. Portanto, maior deveria ser meu ódio contra mim mesmo, que matei minha alma, do que contra alguém que maltratou meu corpo mortal, de qualquer modo perecível, corruptível, que subsiste apenas na medida do seu vigor. O corpo subsiste no corpo e tem valor, enquanto conserva (em si) o tesouro da alma. Que é ele sem tal pedra preciosa? Um saco de esterco, peso morto, alimento de vermes.

Não quero, pois, que ofendais a Deus e à vossa alma, vivendo no ódio e no rancor, por causa de uma ofensa feita ao corpo mortal. Maior motivo tendes para odiar vossos corpos, do que para odiar a Deus e vossas almas. Com ódio expulsai o ódio! Pelo ódio contra vós, expulsai o ódio contra o próximo. Com um único golpe, agradareis a Deus e ao próximo.

Ao afastar o ódio de vossas almas, fareis as pazes com Deus e com o próximo. Queridos irmãos! Se agirdes assim, imitareis o Cordeiro, norma e caminho pelo qual chegareis ao porto da salvação. Na Cruz, o Senhor expiou em Si a ofensa feita ao Pai e nos deu a graça. Somente por Ele a grande guerra se transformou em grandíssima paz.

Por causa da culpa humana e da ofensa feita ao Pai, Jesus assumiu o pecado e tirou vingança em Si mesmo, embora jamais houvesse pecado (2Cor 5,21). Eis o que fez o ódio, o que fez o Amor! Eis o que fez o Amor pela virtude, o que fez o ódio ao pecado mortal. Repito-vos: Essa é a norma que deveis seguir! Bem o sabeis! Com nossos numerosos pecados, odiamos e desprezamos a Deus, estamos em guerra contra Ele. Mas o Cordeiro verteu o Sangue e podemos fazer a paz. Resta-nos, porém, um único modo: participar do Sangue do Cordeiro, munindo-nos de ódio e Amor!

Temos de considerar a ignomínia, as dores, a desonra, os flagelos, a morte de Cristo na Cruz; de pensar que fomos nós que O matamos, e que, dia a dia, continuamos a matá-Lo ao pecar mortalmente. Não foi por pecados Seus que Jesus morreu, mas pelos nossos. Isso fará a pessoa conceber grande ódio pelas próprias culpas, eliminar o veneno do pecado mortal e não desejar vingar-se do próximo. Pelo contrário. Amará o desafeto e o ajudará a penitenciar-se de suas culpas. No que diz respeito à ofensa recebida, não a considera como proveniente de uma criatura, mas como permitida pelo Criador, ou como algo merecido pelos próprios pecados. Não a tomará como ofensa, mas como misericórdia do Senhor, que achou por bem punir nesta vida passageira em vez de fazê-lo na futura, onde o arrependimento não mais existe.

Eis a solução. Não há outra. Os demais caminhos conduzem todos à morte. Mas nos caminhos do bom Jesus não há morte, nem fome; somente vida, perfeita saciedade, pois Ele é o Homem-Deus. O caminho de Cristo é seguro, sem ameaças de inimigos, sejam demônios, sejam homens. Quem vai por essa estrada caminha tranquilo e repete com o apóstolo Paulo:_“Se Deus está a nosso favor, quem estará contra nós?” (Rm 8,31).

 

Incerta é a hora da morte

 


Vós sabeis muito bem que Deus jamais estará contra vós, se não viverdes na infelicidade do pecado mortal; pelo contrário, Ele vos tomará consigo, misericordioso e bom. Pelo amor de Cristo crucificado, não abandoneis mais o caminho e a norma, a vós dados pelo vosso Chefe crucificado, o bondoso Cristo Jesus. Erguei-vos vigorosamente, sem mais demora. O tempo não vos espera. Somos mortais, morreremos. E sem saber quando. Uma coisa é certa: sem um roteiro, não podemos caminhar. E o roteiro, como dissemos, é aquele: ódio e amor.

Pelo ódio (ao pecado) e o amor (à virtude) Jesus conseguiu o perdão, punindo em Si mesmo nossa maldade. Erguei-vos vigorosamente, não continueis a dormir (Rm 13,11) no leito da morte. Com o ódio expulsai o Amor, com o Amor expulsai o ódio. Penso no amor a Deus, a que sois obrigados por dever e mandamento; penso no amor à salvação de vossas almas, presentemente em estado de condenação pelo rancor que tendes. Repito. Com tal amor afastareis o ódio, sempre portador de sofrimento, morte e tribulações a quem o segue e leva consigo desde esta vida, a garantia do inferno.

Desde agora o homem pode saborear a vida eterna, convivendo com Deus em diálogo de Amor. Não é grande cegueira, por acaso, ser merecedor do inferno, vivendo com os demônios no ódio e no rancor? Quem entende tamanha tolice?

Não se poderia praticar vingança. Parece que pessoas assim nem querem esperar a sentença do supremo Juiz de irem para a companhia dos demônios (Mt 25,41). Elas mesmas já pronunciaram a sentença. Antes da alma deixar o corpo, durante esta vida, correm como o vento para a perdição eterna. Vão despreocupados, como loucos, em delírio...

 

 

 

Do Livro "CARTAS COMPLETAS" _ Santa Catarina de Sena



 
 

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