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QUEM SE ELEVA SERÁ HUMILHADO
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         Caríssimos e amados irmãos em Nosso Senhor Jesus Cristo!    

 

A Santa Madre Igreja coloca hoje para nossa meditação a parábola do fariseu e do publicano. São Lucas observa de início qual é a finalidade desta parábola: “Disse Jesus esta parábola a alguns que se tinham a si mesmos em conta de justos, e desprezavam os outros.”E, no fim, Nosso Senhor deixou bem claro o ensinamento da mesma parábola: “O
que se eleva será humilhado, e o que se humilha, será exaltado.”

fariseu publicano

 

Pelos gestos e atitudes exteriores e pelas palavras, Jesus mostra as disposições interiores destes dois homens: o fariseu e o publicano. Ambos sobem a encosta do Mória, colina sobre a qual se encontrava o Templo. Vão orar. Entram no pátio dos gentios, o mais espaçoso, o mais concorrido de todos. O fariseu avança em atitude solene, como quem tem consciência do seu próprio valor e da sua importância social. O gesto grave, o andar majestoso, o manto amplo com as largas franjas de filactérias, coalhadas de textos de Moisés. O nosso homem caminha indiferente a todas saudações, chega ao pátio das mulheres, sobe os degraus da grande escadaria de mármore, que conduz ao Átrio de Israel, e pára por fim para dizer a sua oração. Está de pé, empertigado como se houvesse engessado a espinha dorsal, diante de todos, faz o sua oração: “Senhor, dou-vos graças, porque não sou como os outros homens: os outros afora eu, são ladrões, injustos, adúlteros… como este publicano… Jejuo duas vezes por semana, pago os dízimos de tudo o que possuo”. Que singular e estranha oração! Esse homem nada tem que pedir a Deus, não precisa de nada! Basta-lhe contar o bem que faz e o mal que não faz. Nada tem de que se acusar!… Lança os olhos em torno de si, com a satisfação de quem tivesse a consciência alvíssima como a neve, e encontra um publicano, um pecador, um miserável digno de todo o desprezo!

“O publicano, diz Nosso Senhor, pelo contrário, conservando-se à distância, nem ao menos ousava levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo – Meu Deus, tende compaixão de mim que sou um pecador”. Eis, caríssimos irmãos, o reverso da medalha. Colocado no último lugar, em atitude humilde e penitente, o publicano mantém-se longe do santuário, à entrada do pátio das mulheres, trêmulo não vê o que passa no Templo, não conhece o fariseu que ali está, na sua frente, cheio de orgulho e de supostas virtudes. Só pensa em Deus a fim de alcançar misericórdia para os seus pecados. E oprimido pela consciência de suas culpas, repete muitas vezes: “Senhor, tende
piedade deste pecador!”

Na verdade o fariseu não ora. Suas palavras não são mais que um alarde de suas virtudes e um inventário, sem dúvida exagerado, dos vícios dos demais. É possível que seja verdade o que diz: nunca roubou, nem cometeu adultério, nem quebrantou o mínimo ponto da Torah. Mas, deitou tudo a perder: aquela complacência na sua virtude e aquele desprezo pelos outros envenenavam todas as suas obras. Deus não o pôde ver nem ouvir e, pelo contrário, olha com complacência o pobre publicano, que talvez um dia tenha manchado as mãos com a rapina, mas agora entra na casa de Deus arrependido, humilhado, cheio de confusão e vergonha. É o que Jesus nos diz:  – Eu vos asseguro que, ao deixar o Templo, este publicano era mais agradável aos olhos de Deus do que aquele fariseu, porque o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado. Eis o comentário de Santo Agostinho: “Tanto mais agrada a Deus a humildade nas coisas mal feitas do que a soberba nas bem feitas!”

Nem todos os que vão para o Paraíso pregaram o Evangelho aos povos infiéis; nem todos derramaram o seu sangue ou perderam sua vida por amor de Cristo; nem todos têm a estola sacerdotal ou vêm do claustro. Mas todos, sem exclusão de nenhum, devem ter praticado a humildade, porque só será exaltado quem  se houver humilhado. E a razão está bem afirmada pelas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras: “Deus resiste aos soberbos e dá a graça aos humildes” (1 S. Pedro V, 5). E S. Gregório escreveu uma palavra que deveria fazer tremer a todos aqueles que não são humildes: “O sinal mais evidente da reprovação é o orgulho”.

Caríssimos, quão necessário será, portanto, termos diante dos olhos o que os autores espirituais dizem sobre o orgulho. Primeiramente, toda a sua aspiração é distinguir-se, dar que falar de si. Assim vai rojar-se ante os grandes da terra; vai adular ignobilmente a multidão e mendigar aplausos. Não mede esforços e, por vezes intrigas, para suplantar um êmulo. Há facilidade de uma salutar vergonha apoderar-se daqueles que são dominados por outras paixões, como a avareza, a luxúria, gula etc. O orgulho, porém, está contente consigo mesmo, não reconhece seus erros, não sente a necessidade de mudar de vida.

Assim, que terrível desregramento é o orgulho, quando, nunca combatido, se desenvolve ao ponto de merecer o nome de idolatria! É realmente idólatra de si mesmo, quem se constitui a si como centro de tudo, quem se compraz na contemplação de suas pretensas qualidades, quem julga severamente seus semelhantes, desprezando-os enquanto se considera superior a todos. Nada pode desiludi-lo; a sua arrogância, a sua néscia presunção inspiram horror a quem dele se aproxima, mas não deixa por isso de comprazer-se em si mesmo. Como o fariseu, nem sente necessidade do auxílio divino, tal é a confiança em seu próprio engenho, em seu talento. Saber que os outros pensam nele, que se preocupam com ele, é-lhe uma espécie de volúpia. Ao ver-se admirado, prezado, sua alegria aumenta, sem, todavia, ficar ainda satisfeito. Quer que todos se submetam a ele; tem sede de domínio, e, para sentir-se contente, deverá impor as leis de sua vontade e os decretos de sua grande inteligência. Em presença dos intelectuais, faz alarde de sua inteligência e habilidades.

O soberbo não procura a verdade, mas sim iludir o próximo com aparências sedutoras, tão preocupado está em agradar ou causar admiração. E é neste sentido que S. Pio X, põe o orgulho como causa do Modernismo. Para chamar a atenção sobre si, para granjear elogios e simpatias do mundo, tem que pregar novidades. Tudo, inclusive o dogma, deve seguir a lei da evolução. E o orgulhoso chega a convencer-se de que ninguém pode divergir do seu modo de pensar. Daí, tem inveja em relação a quem o poderia eclipsar; e sente até mesmo ódio contra quem não o admira, ou recusa submeter-se. O orgulhoso caindo no Modernismo, defende a liberdade religiosa do Concílio Vaticano II, mas não admite que alguém tenha a liberdade de discordar dele, mesmo quando este alguém segue, diante de Deus, os ditames de sua consciência bem formada. O orgulhoso domina os fracos, forçando-os a aceitar-lhe os erros, ou então, insinua-se pelas adulações. Todos os meios lhe convêm, contanto que faça partilhar suas falsas ideias, contanto que seja considerado como um doutor que merece ser ouvido, como um homem hábil, cujos conselhos devem ser seguidos. Desse modo arrasta em seus desvarios muita pobre gente que se deixa fascinar por ele.

Caríssimos, os heresiarcas foram sempre grandes orgulhosos. Na verdade, enfatuado de si mesmo, o orgulhoso, estará sempre na iminência de, a qualquer momento, abandonar a Nosso Senhor Jesus Cristo! Cada um deve dizer consigo mesmo: ainda que eu chegue a ter todas as virtudes, se não tiver a humildade, estou enganado; e, quando me julgo virtuoso, não sou mais que um fariseu soberbo. Jesus, manso e humilde de Coração! Fazei o meu coração semelhante ao Vosso! 

Amém!

 

Fonte: Coluna do Padre Élcio Muricci

 

 

 



 
 

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